Continua a campanha

Não é que ainda me espante, mas a campanha que se faz depois de cada jogo do Benfica é qualquer coisa de inacreditável. Só revela que o Benfica está forte e que os adversários não têm mais argumentos senão a irracionalidade do seu discurso.

Desta vez, a maior crítica que se faz ao jogo Marítimo – Benfica é, imagine-se, o árbitro ter cumprido as regras do jogo. Como está escrito nas regras do jogo:

Um jogador, um suplente ou um jogador que tenha sido substituído deve ser expulso do terreno de jogo (cartão vermelho) quando cometa uma das sete faltas seguintes:

(…)

  • usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos e/ou grosseiros

(…)

Qual é a dúvida?

Está bem que não sabemos ao certo o que o Olberdam disse (e é por isso que defendo que os relatórios dos árbitros deviam ser públicos) mas, para provocar uma reacção tão imediata no árbitro, coisa boa não deve ter sido.

À atenção do Sr. Pedro Henriques

Para que não hajam dúvidas em relação à arbitragem do Sr. Pedro Henriques no jogo de ontem entre o Benfica e o Nacional. Começa pela dualidade de critérios, já que quando a bola toca no braço do jogador do Nacional o árbitro deixou seguir mas quando a bola toca na mão do jogador do Benfica, aí sim, já é falta.

httpv://www.youtube.com/watch?v=CgK81duwhFw

Mas a situação fica ainda mais ridícula quando o árbitro faz declarações à imprensa (por exemplo na SIC, logo no início do Primeiro Jornal) dizendo que é falta independentemente de a acção ser deliberada ou não. Escolha curiosa de palavras dado que a lei 12 do futebol (faltas e incorrecções) diz o seguinte (o bold é meu):

(…)

Um pontapé livre directo será igualmente concedido à equipa adversária do jogador que cometa uma das três faltas seguintes:

  • agarrar um adversário
  • cuspir sobre um adversário
  • tocar deliberadamente a bola com as mãos (excepto o guarda-redes dentro da sua própria área de grande penalidade)

Diz ainda na secção “Interpretração das leis do jogo e linhas orientadoras para árbitros”:

Tocar a bola com as mãos implica um acto deliberado em que o jogador toma contacto com a bola com as mãos ou com os braços. O árbitro deve ter em consideração os seguintes critérios:

  • o movimento da mão na direcção da bola (e não a bola na direcção da mão);
  • a distância entre o adversário e a bola (bola inesperada); 
  • a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infracção;

(…)

Penso que não ficam dúvidas em relação ao lance em causa. Golo limpo que devia ter sido validado.

Depois há ainda a questão da expulsão do Nuno Gomes já no túnel de acesso aos balneários. Ainda na lei 12 é dito o seguinte:

O árbitro tem autoridade para aplicar sanções disciplinares, desde o momento que entra no terreno de jogo até que saia após o apito final. 

Ora bem, se o árbitro já tinha apitado para o fim do jogo e se já tinha saído do campo então não tinha autoridade para expulsar mais ninguém. Penso que também não deixa dúvidas.

Nota: As citações são retiradas do documento “Livro das Leis de Jogo 2008” presente no site da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (mesmo da toca do lobo, portanto).