Um lançamento é um lançamento, um canto é um canto

Ontem houve um erro num lançamento do Sporting (que tinha um pé dentro de campo), o ano passado houve um erro num canto do Benfica (que devia ter sido pontapé de baliza). Ambos os lances deram golo.

Para mim são ambos erros de importância reduzida, que não merecem grande discussão. A importância de um erro num canto ou num lançamento não é maior ou menor conforme se resulta em golo ou não.

Depois a incoerência e o alarido que se faz por causa destes erros sem grande importância (especialmente nas redes sociais). Não se pode ficar calado num dos lances e depois fazer um estardalhaço por causa do outro.

Mais um campeonato

Logo da LPFPO que me parece que este novo campeonato vai ser? Não sei, nem ninguém sabe. Por muita análise que se faça só nos jogos a sério é que se vê se a estratégia preparada na pré-época funcionou. Infelizmente, o campeonato português tem tendência a resolver-se logo nas primeiras jornadas portanto não deverá passar muito tempo até vermos uma tendência (seja com uns empurrõezinhos dos árbitros ou com outros erros, mais naturais).

Benfica

Não gostei muito da pré-época. Já não gosto muito quando se contratam jogadores directamente para emprestar a outro clube mas comprar para fazer a pré-época e “depois logo se vê” é muito pior. Depois a dificuldade em apresentar um plantel com portugueses suficientes para cumprir as regras da UEFA. Faz falta ao Benfica pensar o futebol e o seu plantel mais a médio/longo prazo. Planear uma época de cada vez não é a melhor solução.

Apesar disto tudo o plantel parece realmente mais forte que no ano anterior. Melhores jogadores e que dão a possibilidade de apresentar outros esquemas tácticos. Tenha Jorge Jesus capacidade de o pôr a render e temos boas hipóteses de ganhar o campeonato.

Porto

Basicamente o mesmo plantel, a grande diferença está no treinador que é uma grande incógnita. Acho complicado ser grande treinador mas claro que isso depende sempre da quantidade de fruta e café com leite que consumir.

Sporting

OK, levaram nas trombas do Valência e do Málaga e a defesa parece mesmo fraquinha. Mesmo assim pareceu-me um ano em que até tiveram algum juízo nas contratações, principalmente do treinador. Candidatos a fazer um campeonato bem melhor que o do ano passado mas ainda apontados ao 3º lugar.

Braga

Depois da saída do Domingos, foram buscar o melhor treinador possível. Não acompanhei muito, não sei ao certo como ficou o plantel (penso que se falava na saída de alguns jogadores importantes). Mesmo assim devem ser capazes de lutar pelo 3º lugar com o Sporting.

E vocês, o que acham?

A cadeira dos sonhos

Diz que era do Porto desde pequenino. O pintinho chegou a dizer que mesmo que alguém pagasse os 15 milhões de euros tinha a certeza que o André Villas-Boas não saía. Acabem-se com as ilusões, no futebol, em qualquer clube, o dinheiro é que manda.

Diz-se também que foi pouco ético. Talvez. Como também terá sido pouco ético ter “rasgado” um pré-acordo com o Sporting para assinar pelo Porto. Por outro lado, quem é que recusava ir ganhar 5 vezes mais, se tivesse a oportunidade.

E chegar ao Chelsea com apenas época e meia como treinador principal, nem no Football Manager…

Sporting e os grandes

Este fim-de-semana o Sporting perdeu pontos. Se normalmente isso era motivo de satisfação para mim, desta vez (e já há algum tempo, diga-se) não me provocou grande reacção. Mesmo estando ainda no início do campeonato, mesmo o Benfica ter poucos mais pontos. Ser o Sporting ou a Naval 1º de Maio a perder pontos, para mim e neste momento, sabe ao mesmo.

Digo isto sem ironia, tenho pena que assim seja. O Sporting sempre foi o grande rival do Benfica e eram esses jogos que mais gosto davam em ganhar. Ainda não ponho o Sporting fora dos três grandes, mas já faltou mais.

Sá Pinto

O episódio com o Artur Jorge era só isso. Um episódio. Ninguém julgava que Sá Pinto fosse um “paz d’alma” mas fora do campo era a única atitude violenta que se conhecia (ou, pelo menos, de que eu me lembro). Podia, até agora, ser apenas um momento de irreflexão. Agora, esta cena da batatada com o Liedson vem confirmar uma tendência. Vem confirmar que Sá Pinto é um gajo fodido p’rá porrada.

Pareceu-me, logo na altura em que ouvi a notícia, que isto não podia ser só por causa do lance do golo do Mafra. Tinha que haver já uma antipatia entre os jogadores e o director desportivo. Uma notícia do Record parece agora confirmar isso mesmo.

Isto vem apenas mostrar que para ser um bom director desportivo não basta ter um curso. São necessárias, principalmente, “soft skills” e aí o Sá Pinto parece deixar muito a desejar.

Duas notas finais. Uma para Liedson que apesar de ter alguma responsabilidade tem a grande atenuante de ter que ser ele a aturar o Sá Pinto. Outra para a facilidade com que os pormenores do evento terem saído para os jornais. Apesar de ser impossível esconder uma coisa destas, foi simples demais para os jornais saberem o que se passou.

Sobre a decisão da UEFA

Sobre a decisão que a UEFA tomou hoje, de suspender o Porto da Liga dos Campeões, tenho pouco a dizer. Admito que estamos perante a oportunidade de aplicar um castigo mais adequado e que complete a pena de 6 pontos dada pela Liga. Pena essa que, ou porque não se quis ou porque não se pôde (e aceito que tenha sido porque não se pôde), ficou aquém da gravidade da infracção. Mais que isto não digo até conhecer a decisão final.

Últimos na Humildade

Já aqui disse que um dos meus programas favoritos de televisão é a Liga dos Últimos, programa da RTP N. Pois estava a ver o programa desta semana quando o apresentador anuncia a reportagem “na” Anadia (diz-se em Anadia). Não tenho especial simpatia pela equipa da sede do concelho mas é sempre interessante ver reportagens sobre realidades que conhecemos.

E teria sido uma reportagem interessante não fosse a falta de humildade dos dirigentes do Anadia que não deixaram entrar a equipa da Liga dos Últimos no estádio para captar imagens do jogo. “Estamos à terceira jornada, não somos últimos” dizia o indivíduo que barrava a entrada. Entrada essa que é do direito dos jornalistas e direito esse que nem a GNR presente no local conseguiu garantir (também não se percebe muito bem porquê).

Para que se perceba melhor a situação, o Anadia ia jogar com o Benfica de Castelo Branco a contar para a 4ª jornada do campeonato nacional da II Divisão – Série C, tendo contado os primeiros 3 jogos por derrotas com 4 golos sofridos e nenhum marcado. Eram, portanto, à entrada para a 4ª jornada a única equipa com zero pontos e últimos na classificação. Isto depois de um discurso de pré-época em que afirmavam que iam lutar pelos lugares cimeiros da classificação, logo no primeiro ano depois de subir a esta divisão.

Ficou mal visto o clube e acabou por ficar mal vista a cidade de Anadia que foi retratada (não podendo fazer reportagem do jogo, foram visitar a cidade) como uma cidade-fantasma, o que, diga-se, à noite e nos fins-de-semana não é mentira nenhuma.